sábado, dezembro 30, 2006

E se ele tivesse um Google?

Acabei de ler o "Laptop de Leonardo" do Ben Shneiderman. Ele é professor de Ciências da Computação da Universidade de Maryland e propõe um debate sobre como a informática pode incentivar a criatividade, o debate político e uma nova formação de sociedade.
O tema é mais do que atual e o livro tá rendendo comentários de pessoas interessantes. O pessoal do MIT ficou tão empolgado que criou até uma página especial pra continuar o debate dessas idéias.
Mas confesso que fiquei com um sentimento de que fui enganado e de que é um amontoado de lugares-comuns sobre essa nova onda da web 2.0.
Ainda assim o livro é ruim ou mal escrito? Definitivamente, não.
Tive essa sensação porque as coisas sobre as quais ele escreve ainda estão em andamento. Talvez falte o tal do "distanciamento" que tanto os historiadores falam. Várias mudanças pelas quais passamos são tão graduais que nem notamos. Outras não.
Eu, que estou na casa dos 30, fiquei maravilhado quando pude encostar a máquina de escrever e usar o word no primeiro PC que entrou lá em casa. Mas, ao mesmo tempo, trocar um cd pelo mp3 não foi tão fantástico assim.
Shneiderman usa a figura de DaVinci para falar exatamente do "upgrade nosso de cada dia". O homem renascentista, representado pelo pintor, escultor, projetista e etc., era o protótipo do que ainda ensaiamos hoje. Tentava fazer uso de ferrementas (do cinzel ao mouse) para concretizar idéias. Se ia dar certo ou mesmo ter uso prático não importava. O que fazia a diferença era a criatividade humana trabalhando tecnologia.
Imagine o que DaVinci poderia fazer hoje usando o Google!
Para Shneiderman não é importante o que os computadores podem fazer. Mas sim o que as pessoas podem fazer usando computadores.
(Veja aqui a entrevista que produzi com ele para o Espaço Aberto/C&T da Globonews)

"My favourite sentence in this book is 'easy to say, but tough to do.' Ben addresses many of the key issues in creating powerful tools that empower and liberate users. A lot of people talk about a new wave of innovation driven by human need rather than by technology, but Shneiderman is actually doing the innovating. This timely book is about the new ways technology will help us mobilise human agency, not replace it." --John Thackara, First Perceptron, Doors of Perception