segunda-feira, janeiro 22, 2007

Caminhão de mudança


Tô encaixotando tudo por aqui e mudando o blog pro wordpress.
O Alfin3te agora passa a se chamar "CAFÉ PRA DOIS".

Te encontro lá.
Fui.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

"Harold Crick está pronto para partir. Ponto final."

Se todo escritor tivesse o mesmo carinho que o roteirista estreante Zach Helm demonstra ter com seu protagonista em “Mais Estranho que a Ficção”, ler ou ir ao cinema certamente seriam hábitos muito mais prazerosos. E o mesmo vale para nós: se nos preocupássemos o mesmo tanto com as pessoas ao nosso redor, o mundo seria um lugar muito melhor de se viver.

Temos aqui um sujeito, Harold Crick (interpretado por Will Ferrell), que vive numa rotina absurdamente chata: acorda sempre no mesmo horário, escova os dentes sempre o mesmo tanto de vezes, vê sempre as mesmas pessoas no ponto de ônibus, e por aí vai. Não é de se espantar, portanto, que ele comece a ouvir uma voz narrando suas ações, como se ele fosse personagem de um livro e sua vida estivesse sendo escrita sem que ele tenha controle algum. Mas a tal voz não é um delírio: ela pertence a uma escritora (Emma Thompson) que tem devaneios suicidas e enfrenta um bloqueio ao tentar encontrar uma forma de matar o protagonista de seu novo livro: o próprio Harold. Só quando a escuta dizer que sua morte é iminente é que ele se dá conta de que algo precisa ser mudado – e rápido.

“Mais Estranho que a Ficção” é sobre não se prender a rotinas (daí o simbolismo freqüente do relógio em várias cenas, como a que mostra a janela da loja de Maggie Gyllenhaal como um relógio sem ponteiros – exatamente o que sua personagem representa para Ferrell). Pode parecer a maior pieguice do mundo essa “mensagem”, mas não adianta: naqueles momentos em que nos damos conta de que um dia vamos morrer é que vemos que a vida está passando e é preciso aproveitá-la. Mais do que isso, o que Helm nos fala neste filme é que preocupar-se com as pessoas, sejam as que fazem parte do nosso cotidiano ou de nossos pensamentos, é um valor essencial para vivermos em plenitude, porque, às vezes, nos esquecemos do que os outros têm a nos oferecer e acrescentar com suas próprias vidas.

Mais uma vez, pieguice. E você se pergunta: “Mas não era para ser uma comédia?” Não se engane: Ferrell faz sua graça habitual, mas este é seu personagem mais sério até hoje (Dustin Hoffman está mais engraçado do que ele). Na verdade, sério não é o termo mais apropriado. Eu diria que é seu personagem mais equilibrado, porque, afinal de contas, é isso que Helm procura estabelecer em sua história: equilíbrio – entre a tragédia e a comédia, entre o individualismo e a solidariedade, entre a matéria e o espírito, entre a realidade e a ficção (as duas últimas dualidades também foram trabalhadas pelo hábil diretor Marc Forster em seus dois filmes anteriores, “Em Busca da Terra do Nunca” e “A Passagem”, praticamente formando aí uma trilogia não declarada).

Criativo e possuidor de uma sensibilidade pouco comum no cinema contemporâneo (especialmente o feito em Hollywood), “Mais Estranho que a Ficção” é um filme que mexe com aquele lado da gente que parece ficar adormecido enquanto enfrentamos a famosa correria. E nos faz lembrar que um relógio quebrado pode nos valer horas muito mais proveitosas do que aquelas que seus ponteiros nunca se cansam de nos mostrar.
(direto do cinematório)

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tão vendendo Iphone na banca!



Essa foi a minha surpresa do início da semana.
Nem acreditei quando vi as duas capas lado a lado na banca.
Tá, a gente sabe que foi o assunto dos últimos dias, mas daí a ser capa de duas das maiores revistas de informação do país ?
Sinal dos tempos, meus caros.
Dei uma folheada na Época e eles se limitaram a registrar o fato do lançamento do Iphone - tecnologia revolucionária, Steve Jobs, futuro da comunicação e blábláblá...mais do mesmo.
A Veja fez isso tudo e aproveitou pra bancar um pequeno especial sobre inovação.
Trouxe uma pensata sobre democratização com Cicarelli x Youtube; tocou no atraso da nossa informática relembrando a reserva de mercado dos anos 80; dá um perfil da nova "classe criativa' que está surgindo e etc.

Não tem mais jeito. Todo mundo quer esse tipo de informação. O difícil é procurar e não encontrar uma revista especializada na área aqui no Brasil.
Eu não sei a opinião de vocês, mas eu acho a Info muito técnica e chata. Prefiro dar uma googlada por aí.
Mas eu ainda sinto falta de ler algo no ônibus.

sábado, janeiro 13, 2007

Trilha sonora de uma vida


"In my life" se é que pode existir uma preferida em se falando de Beatles.

Relutei muito pra baixar o "Love" dos Beatles.
Pra quem ainda não sabe é uma releitura de alguns clássicos que George Martin fez para o novo espetáculo do Cirque du Soleil.
Pois é, releituras, remixes e agora os tais mashups me assustam um pouco.
Só pra dar um exemplo eu destesto gravações ao vivo. Sempre vou preferir o orginal de estúdio. E, no caso de Beatles, é mexer em vespeiro.
Mas Martin é realmente o quinto Beatle.
No disco convivem bem o psicodelismo de "Lucy in the sky with diamonds" (introdução refeita mixada com os sopros de ''Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band') e a melancolia de "Eleanor Rigby" (tem o violão de "Julia", citação de "Strawberry fields for ever" e as cordas de "A day in the life").
Isso sem contar que "menos é mais" em ''Because''. Essa versão traz só os vocais como estão gravados na coleção "The Beatles anthology'', mas somente com sons de pássaros de ''Blackbird" ao fundo.
A ausência total de instrumentos dá quase um ar fantasmagórico à música.
Mas acho que tudo acabou ficando no meio do caminho.
George Martin poderia ir além e remexer o baú de vez. Se alguém tem credenciais pra fazer isso é ele que produziu os discos originais. Os Beatles sempre buscaram outras maneiras de se expressar e este poderia ser um passo adiante. A função que essa "coletânea" tem é a de apresentar às novas gerações o trabalho dos FabFour.

Eu, que nasci no início dos anos 70, já peguei a fase final do grupo. Mudança de rumo, brigas, idéias divergentes e uma japa eram as coisas que rodeavam os últimos álbuns da época.
Mesmo assim, vou lembrar pra sempre que meus três primeiros compactos em vinil foram: "O soldadinho de chumbo", da Coleção Disquinho; "Don´t go breaking my heart" com Elton John & Kiki Dee e "Hey Jude" dos Beatles.
Eu ainda não tinha noção de quem eram os tais cabeludos de Liverpool e só queria mesmo é gritar meus "Nananananas" no final da música.
Tenho certeza de que por conta dessas músicas, e de muitas outras que vieram nos anos seguintes, eu faço parte daquele grupo de pessoas que acha que a vida deveria ter trilha sonora em tempo integral.
"In my life" é minha música pra pensar em amigos, lugares especiais e fim da vida.
Qual é a sua?

A long time ago in a galaxy far, far away...

Impressionante a paciência desse cara pra refazer todo o filme "Guerra nas Estrelas" em arte de caracteres ascII.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Criador & criatura


Já me converti.
Depois da enxurrada de gente babando o Iphone eu não consigo ficar mais de fora da onda.
Acima você assiste a primeira parte da apresentação de Steve Jobs na Macworld 2006.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Você prefere em pé ou de ladinho ?


Tá, eu confesso que nunca fui um Macmaníaco.
Acho que isso está pra mudar brevemente.
Meu novo sonho de consumo já tem forma.
É o que Steve Jobs, diretor executivo da Apple, realmente prometeu quando disse:
"Nós vamos reinventar o telefone".
Finalmente o Iphone foi revelado ao público na Macworld desse ano em São Francisco.
A novidade, com telona de 3,5 polegadas, integra as funções de celular, câmera digital (com resolução de dois megapixels) e iPod.
Ah, vem com touchscreen e um sensor de movimento - independente de sua posição (horizontal ou vertical), as imagens são sempre adequadas para melhor visualização. O recurso deve facilitar quem quiser assistir filmes e tv - adeus tocadores de mp4!.
O telefone também permite acesso à internet, a ferramentas de busca on-line, a mapas e a e-mails, além de rodar o sistema operacional Mac OS X.
O modelo com capacidade de 4 GB custará US$ 499, enquanto o de 8 GB sairá por US$ 599 nos EUA. Não se animem tanto. A previsão de chegada por aqui deve ser somente no final de 2008.

A espera foi tão aguardada que muitas imagens de modelos fakes invadiram a internet. Teve muito jornalista de site especializado mostrando gato por lebre.
Um desses exercícios de criatividade você pode conferir no site iphone concept blog, montado por seguidores da seita Mac.
Teve gente misturando celular com Ipod, outros pareciam ser o Iphone que minha avó usaria. Saiu até um revolucionário Iphone-swatch.
Muitos chegaram perto, mas, Steve Jobs ainda mantém o título de criador do " brinquedinho mais invejado do ano".

terça-feira, janeiro 09, 2007

Cadê o "reply all"?

O galo cantou e o Youtube conectou.
Aqui no Rio os assinantes da Telemar/Embratel ainda conseguem entrar pela porta da frente do site.
Mas o que mais me surpreende é a reação da mídia. Ou melhor, a falta de reação.
Achei que na versão impressa de O Globo ia dar manchete. Realmente estava lá "Acesso ao Youtube é bloqueado - ver pág.5". Uma micronota chupada do G1 de ontem. Mas tudo bem. A gente sabe que o jornal é feito no dia anterior e as coisas andam mais rápido do que as prensas.
E a tv? Vamos ficar só na Globo pra começar.
O Jornal da Globo de ontem deu uma nota coberta. Tava lá o registro do fato. Não foi muita coisa, mas bastava esperar pelo Bom dia Brasil.
Nada.
Quase doze horas depois, as mesmas imagens. A única mudança foi a voz do locutor. O texto era o mesmo.
Na Globononews foi pior. Para um canal que prega notícia "24 horas no ar" era de se esperar no mínimo um restrospecto da história toda e a entrevista com um especialista em direito na web.
Nada.
Todo mundo sabe que deslizamento de barraco, pane nos hospitais públicos e tiroteio matando 30 em Bagdá é importante. Mas esse episódio mexe com liberdade de imprensa, volta da censura, despreparo da Justiça brasileira e imagem internacional.
Só damos destaque quando a China proíbe ou Cuba nem deixa entrar?
Cadê? Ainda tô esperando.